quinta-feira, 11 de julho de 2013

Atendimento bancário em Santa Inês perto de um colapso.


Agência da Caixa Econômica Federal: cena comum no dia a dia da agência de Santa Inês
Não é exagero afirmar-se que o sistema bancário de Santa Inês, formado por cinco bancos – quatro deles oficiais e um privado – está perto de um colapso total. As agências bancárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco são o epicentro desta crise que a cada dia parece não ter fim. Correndo por fora estão o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste que tem um movimento bem menor do que os três  outros bancos instalados na cidade. A situação chegou a tal ponto que nos finais de semana não existe dinheiro nos caixas eletrônicos que funcionam (?) dentro das agências já a partir do sábado. E durante a semana, principalmente nos primeiros dez dias de cada mês, o atendimento ao público na parte interna dos bancos chega a ser desumano. São milhares de clientes, a maioria em busca de seus aposentos ou programas do Governo Federal, etc.
BANCO DO BRASIL
No caso do Banco do Brasil, além de tudo isso, funcionários públicos dos governos do Estado e do Município e até mesmo da União buscam atendimento. E isso para ser atendido por uma única agência instalada na cidade desde o início  da década de 70 do século passado, ou seja; quase 50 anos. Para complicar mais, nada está tão ruim no Banco do Brasil em Santa Inês que não possa piorar. A menos de dois meses atrás o banco ficou sem funcionar por dois dias porque o “sistema” ficou fora do ar, naquela oportunidade culpou-se a Oi que teria deixado desconectado o banco por problemas técnicos. Fato se não corriqueiro, mas que acontece de quando em vez por lá. Outro problema que afeta com frequência a agência do BB em Santa Inês é o de energia. Na segunda-feira passada, depois de o banco impor aos seus correntistas um final de semana sem dinheiro e amanhecer “entalado” de gente em busca de um mínimo de atendimento possível, parte do banco estava no escuro e a queda de energia indicava que tudo ali poderia estar funcionando com apenas uma fase. Alguém do banco informou que o problema estava no atendimento demorado da Cemar que opera com call center fora da cidade e só através do 116 ou do 0800. Na verdade o banco, se não tem, deveria ter um gerador próprio para ser acionado nessas emergências. O que se viu durante o dia, entrou pela noite, no caso, centenas de pessoas tentando de alguma forma fazer uma operação financeira nos caixas eletrônicos. Faltou dinheiro nos caixas eletrônicos no final de semana, faltou energia na segunda-feira e faltou (e falta) respeito e humanidade da parte do BB (a instituição) para com seus clientes, e isso sem falar no total desrespeito à Lei Municipal 394/2005 que estipula que o atendimento nos bancos do município deve ocorrer em até, no máximo, 30 minutos, esse sim, fato rotineiro no BB o que fez a representante do MPMA, Norimar Gomes Campo,  requerer que a Justiça determine ao banco que disponibilize, em 10 dias, o número suficiente de funcionários de caixa para viabilizar o atendimento aos clientes no tempo máximo de até 20 minutos, em dias normais, e até 30 minutos, em véspera ou após feriados prolongados e/ou nos dias de pagamentos de funcionários públicos municipais, estaduais e federais de recolhimento de tributos de qualquer esfera, como determina a legislação, conforme publicou o AGORA na edição de sábado passado.
CAIXA ECONÔMICA
As peripécias da Caixa Econômica em Santa Inês daria para encher páginas e mais páginas de jornal. É de longe o pior atendimento bancário e o mais humilhante de todos – resguarde-se aqui os esforços de seus funcionários na tentativa inútil de minorar o sofrimento dos correntistas. As reclamações contra essa instituição federal em Santa Inês são um verdadeiro rosário de sofrimento para quem usa de seus serviços. Como uma considerável parte de seus clientes são do Bolsa Família e outros programas do Governo Federal, milhares de pessoas acorrem ao banco em determinado período do mês. As filas invadem as calçadas de vários quarteirões da cidade, dobram esquinas e geram tumulto em frente da instituição. O sofrimento é constrangedor, pessoas desmaiam, se agridem, idosos passam mal debaixo de chuva ou sol ou diante do calor infernal que faz dentro da agência “apinhada” de gente. Essas cenas e outras bem piores são repetidas todos os meses sem que a CEF faça algo na direção de humanizar o atendimento de seus clientes. No final de semana que passou, a Caixa mais uma vez deixou faltar dinheiro nos caixas eletrônicos e na segunda-feira (08) o sistema estava fora do ar causando mais desespero em quem precisava usar qualquer serviço (ou desserviço) dessa instituição financeira. O Ministério Público do Estado diz que infelizmente não pode alcançar a CEF com qualquer punição, vez que isso deve partir do Ministério Público Federal. Vai ver é por isso que entra década sai década  a Caixa segue humilhando e fazendo pouco de quem é obrigado, por várias e óbvias situações, a ser seu cliente.
BRADESCO
A agência do Banco Bradesco em Santa Inês, segundo a Promotoria da Defesa do Consumidor local, foi a única das mais frequentadas que apresentou alguma melhoria: implantou a senha eletrônica e colocou assentos para quem procura atendimento interno, muito embora no caso das senhas, em alguns dias do mês não adiantar nada diante do volume de pessoas que buscam atendimento nos quatro ou cinco guichês (caixas) internos. O banco também investiu na abertura de agências de pequeno porte nas cidades de Bom Jardim, Pindaré e Monção, tentando desafogar o atendimento em Santa Inês, atitude  que pelo visto não resolveu muita coisa uma vez que a agência local, na segunda-feira (8) estava “entupida” de gente e até o acesso às dependências internas virou um obstáculo quase intransponível. Viu-se de tudo nas filas, mas quase nada de dinheiro nos caixas eletrônicos, fato que já vinha sendo registrado desde o dia anterior e que também vem se tornando rotina no Bradesco de Santa Inês.
BASA E BNB
Nessas outras duas instituições a aglomeração de pessoas tem sido de alguma forma controlada, quase não se ouve muita reclamação contra elas, mas isso não quer dizer que as mesmas também não enfrentem problemas, afinal, para elas acorrem pessoas em busca de financiamentos e de outros tantos serviços que elas prestam, porém na bolsa de reclamações, são as menos cotadas.
O QUE FAZER?
A solução passa com certeza pela abertura de mais agências bancárias em Santa Inês a exemplo de Imperatriz e outras cidades pólos. No caso do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do Bradesco, claro que Santa Inês merece ao menos mais uma filial de cada uma dessas instituições. Há cerca de mais de 30 anos que não é inaugurada na cidade uma única agência bancária. Como podemos viver e conviver com a mesma quantidade de estabelecimentos bancários em que vivíamos 35 anos atrás? Isso chega a ser um deboche para com a população de Santa Inês e com milhares de pessoas que se abastecem aqui diariamente. Outra solução seria a contratação de mais funcionários e a ampliação física das estruturas das agências  ou a abertura de novas filiais nas cidades que ficam localizadas em um raio de até 50 ou 60 KM de Santa Inês. Enquanto isso não vem e a sociedade civil desorganizada de Santa Inês não faz nada, não pleiteia nada, cala-se diante de tamanho absurdo, cabe ao Ministério Público e a Imprensa sair em defesa da população. Nesse particular o AGORA já gastou tinta o suficiente para imprimir várias edições, muito embora isso às vezes possa até criar embaraço para as operações financeiras que a empresa que o edita, por ventura venha a necessitar, mas uma coisa aqui não se negocia; a defesa da população.
A agência do Banco Bradesco, segundo a Promotoria da Defesa do Consumidor local, foi a única das mais frequentadas que apresentou alguma melhora, porém, as filas viraram rotina em dias de pique.
Filas no Banco do Brasil na manhã de segunda-feira (8)
Promotora Norimar Gomes que ajuizou a ação contra a demora no atendimento do Banco do Brasil de Santa Inês